terça-feira, 31 de dezembro de 2013
As festas de fim de ano e a velha tristeza
As festas de fim de ano e a velha tristeza
por João Lopes
Alguma tristeza no fim do ano? Muitas pessoas dizem sentir uma tristeza, aparentemente, inexplicável no final do ano. Será que essa tristeza não quer nos dizer algo?
Foto da internet
Não são poucas as pessoas que dizem sentir uma espécie de tristeza inexplicável quando chegam as festas de fim de ano. Nas lojas, nos escritórios, nos grandes shoppings e avenidas, as decorações se levantam em um espetáculo de luzes a nos avisar: o Natal chegou. Os sentimentos bons devem reinar em nome de um dia, e os votos retomam a família e todo tipo de coisas boas. Há muito o Natal deixou de ser apenas um dia no calendário cristão, em que se recordaria o nascimento de Jesus, para ser um dia exaustivamente comercial o que também não é novidade.
Mas nada disso pode responder à pergunta: de onde vem a tristeza que experimentamos? E mesmo que tentássemos definir isto ou aquilo, na verdade, em cada um deve haver um motivo específico, mesmo que desconhecido, para que esse sentimento seja assim tão latente. Algumas coisas, no entanto, são verdades que preferíamos, quem sabe, não saber. Nossa geração infelizmente entregou-se à superficialidade extrema, a pouca reflexão e ao sabor da vida de consumo, e quanto a isso também parece haver total consenso entre todas as pessoas e os pensadores contemporâneos.
Em outras palavras, por mais difícil que seja concordar, as festas de fim de ano tornaram-se, apenas, momentos pré-estabelecidos para presentearmos, obrigatoriamente, talvez, nos reunirmos em família, e fazermos algumas reflexões que, durante a ligeireza de cada ano, não conseguimos fazer. Nessa época, é inevitável não pensarmos, por exemplo, no valor da família, na fé, ou mesmo das pessoas que amamos. Aos que se dedicam um pouco mais à reflexão certamente se lembrarão daqueles que, sem a presença deles, não teriam conseguido muita coisa.
Retomamos assim sentimentos que tantas vezes, ao longo do ano, não podemos expressar, por falta de tempo ou porque simplesmente nos esquecemos. A gratidão, a generosidade, a gentileza etc., estão na pauta para serem lembradas, e será que não ficamos em dívida com alguém? De outro lado, o balanço de como foi o nosso ano, sob a fúria do homem contemporâneo por superar a si mesmo o tempo todo, pode também trazer grande frustração. Resultados são tudo que se espera ao balancear a vida, como se ela pudesse ser equacionada em índices de qualidade inventados por outras pessoas que sequer nos conhecem.
Na verdade, será que a tristeza sentida pelas pessoas nessa época não seria alguma mesmo que pequena crise de consciência? Não que sejamos maus, não, mas por termos perdido oportunidades de sermos pessoas melhores ao longo de todo o ano, e o Natal, assim como o Réveillon, são épocas a nos mostrar que os homens, ironicamente, também são humanos. Estas são épocas que urgem que estejamos juntos - não separados -, em que, inevitável é, nos reunirmos para celebrarmos nossa humanidade.
Será que nos esquecemos de que somos humanos? Pois humanos sentem e precisam de outros humanos o tempo inteiro, não apenas ao final dos anos. Se alguém duvida disso, mesmo aqueles que veneram o isolamento e a solidão, certamente não conseguiriam sequer pensar como seria viver no mundo sem outro semelhante seria irreal. A própria arte tem nela essa capacidade urgente de lembrar ao homem que ele é homem, portanto dotado de sensibilidade.
"O tempo" de Mário Quintana, por Abujamra.
Com certeza, se durante cada ano, olhássemos constantemente para dentro de nós, essa coisa que não tem nome, que é o famoso "quem sou eu", aquilo que está no íntimo do ser humano, que sente e, por isso, considera o outro como alguém que também sente, sem dúvida, ao final do ano, ao fazermos qualquer balanço ou reflexão sobre como agimos, poderíamos em lugar de alguma tristeza inexplicável sentir alguma alegria consciente, de um ano bem vivido, de sentimentos bem vividos.
Se nos resta algum consolo certamente são os próximos dias do ano que está prestes a começar. São infinitas oportunidades de fazer com que a vida não seja apenas um fluxo, uma invenção de vida feliz ditada por outros ou por lógicas como o progresso e o consumo, mas que ela seja algo fascinante que, ao se refletir sobre, nos faça querer tragá-la uma vez mais, uma vez mais, uma vez mais...
domingo, 29 de dezembro de 2013
Comidas que têm origens diferentes da que você imaginava
Comidas que têm origens diferentes da que você imaginava
Jessica Soares
Não é preciso ir muito longe para provar da culinária internacional apetitosos pratos de todo o mundo ultrapassaram fronteiras e hoje podem estar à sua mesa aqui mesmo, no Brasil. Mas será que você realmente sabe de onde veio aquela comida que você tanto gosta? Para tirar a prova, conheça 8 comidas que têm origens diferentes da que você imaginava:
1. Batata-frita
Parece fácil: para saber de onde veio essa delícia crocante que chamamos de batata-frita bastaria lembrar o nome que ela recebe na terra do Tio Sam por lá elas são conhecidas como french fries, "batatas francesas"
2. Lasanha
As camadas intercaladas de massa e cremosidade da clássica lasanha surgiram na Itália, certo? Nada disso.
Uma receita muito similar ao amado prato já se encontrava em Fôrma de Cury, "livro de receitas" escrito pelo cozinheiro mestre do Rei Ricardo II da Inglaterra em meados do século 14.
Há quem defenda que a lasanha está por aí há mais tempo ainda: seu nome e receita teriam aparecido na Grécia Antiga. A diferença entre a lasanha que conhecemos hoje e suas versões antepassadas é a ausência de tomate nos primórdios o fruto só chegou à Europa depois que Colombo deu uma passadinha nas Américas em 1492.
.3. Nachos
Eles surgiram no México, é verdade, mas se engana quem pensa que os nachos fazem parte da culinária tradicional do país.
O lanchinho foi criado em 1943 por Ignacio "Nacho" Anaya. Na época, Ignacio trabalhava no Victory Club, restaurante localizado na cidade mexicana Piedras Negras, cortada pelo Rio Grande e vizinha da cidade amricana Eagle Pass, no Texas.
As esposas dos soldados da base texana costumavam passear pelo México e, em uma certa tarde, acabaram entrando no pequeno Victory Club. Pediram o prato da casa. Reza a lenda que, para desespero de Ignacio, o cozinheiro do estabelecimento tinha escolhido justo aquele momento para dar um perdido e não podia ser encontrado.
Anaya vestiu o chapéu de chefe e usou da criatividade para resolver o problema: combinou tortilhas de milho crocantes com cobertura de queijo e pimenta jalapeño para criar o prato que batizou como "Nachos Especiales".
Nascida para o sucesso, a receita de Ignacio logo virou um ícone e conquistou o mundo.
4. Macarrão com almôndegas
O primeiro beijo de Dama e o Vagabundo não seria tão icônico se os cachorrinhos da Disney não tivessem escolhido jantar em um restaurante italiano. Ainda bem que o chefe de cozinha da animação lançada em 1955 não se importou em colocar à mesa um prato que, na verdade, não é servido na Itália. O macarrão com almôndegas foi popularizado por imigrantes sicilianos nos Estados Unidos, no início do século 20.
Mas no país de origem dos criadores o prato não só não está no menu, como também é uma combinação reprovada pelos amantes da massa.
5. Croissant
Não há nada mais parisiense do que vestir listras e comer um gostoso croissant no café da manhã. Pena que, na realidade, o pão de massa folhada não surgiu na França. A meia-lua crescente, conhecida então pelo nome de kipferl, foi criada no século 13 por padeiros da cidade de Viena, na Áustria e é, por isso, conhecida hoje também pelo nome de viennoiserie. Foi Maria Antonieta que popularizou o pãozinho na França a partir de 1770. Bon appétit!
6. Chili
Há diferentes versões para a origem do famoso chili con carne, mas todas estão de acordo em um ponto: ele não é mexicano.
O prato, oficial do estado do Texas, nos Estados Unidos, teria sido inventado ali mesmo, em solo americano.
No século 19, o prato composto por carne seca, gordura, condimentos e pimenta chili já era popular entre os cowboys e aventureiros do oeste americano. Com o final da Guerra de Secessão, em 1865, o prato ganhou o país.
Entre os texanos mais conservadores, o prato só é autêntico se tiver apenas carne e quantidades absurdas de pimenta. Mas, com a popularização do chili, inúmeras versões surgiram sendo mais populares aquelas que acrescentam feijão à receita.
7. Acarajé
O acarajé é da baiana, mas sua história remonta ao continente africano. Feito com feijão-fradinho, cebola e sal e frito em azeite-de-dendê, o acarajé, típico prato da cozinha da Bahia, deriva do àkarà da África Ocidental que, por sua vez, deriva do falafel árabe levado para o continente africano no século 7.
O bolinho, originalmente cozido em oferenda aos orixás, ainda é considerado uma comida sagrada mas pode ser apreciado no tabuleiro da baiana.
8. Pizza
Todo mundo sabe que a pizza é um prato italiano. É, mas não é.
A pizza como conhecemos hoje surgiu em Nápoles, na Itália, no século 16. Só que, muito antes de fatias da criação napolitana irem parar nos pratos de todo o mundo, os egípcios e gregos da Antiguidade também já faziam lanchinhos que se pareciam muito com a pizza.
Há 5 mil anos, babilônios e hebreus também já levavam ao forno a massa com farinha e água. Na Idade Média o prato chegou na Itália, onde foi aperfeiçoado e recebeu o (hoje clássico) ingrediente recém descoberto nas Américas: o tomate.


















