O estranho e difícil trabalho dos devoradores de pecados
Por Lucas Rabello
O nome 'devorador de pecados' soa como algo que não poderia existir. Mas existiu, e essas pessoas tiveram um papel muito importante nas comunidades religiosas da Inglaterra, Escócia e País de Gales.
Aqueles que tinham tempo para preparar suas mortes podiam falar com um padre, fazer uma última confissão e ter seus pecados absolvidos pela Igreja para preparar seu caminho até o Céu. Mas aqueles que morriam de repente não tinham essa oportunidade, e assim, a família do recém-falecido, muitas vezes contratava um devorador de pecados.
Um pedaço de pão era colocado sobre o peito do morto como se estivesse absorvendo seus pecados (algumas vezes, os rituais também incluíam vinhos ou cerveja). Acredita-se que quando o devorador de pecados comia o pão, ele também estava comendo os pecados do falecido. Ele tomaria ações mundanas da pessoa sobre si mesmo, para que a libertasse e a fizesse chegar ao Céu.
Não surpreendentemente, isso absolutamente não foi sancionado pela igreja. A maioria dos devoradores de pecados não era apenas não afiliada a qualquer religião, igreja ou paróquia, eles também eram das castas mais baixas da sociedade. A maioria deles era pobre, e recebia um pouco de dinheiro a cada sessão.
A maioria dos devoradores de pecados também mendigava, vivendo da maneira como conseguiam. Acreditava-se que à medida com que a pessoa ia absorvendo os pecados dos mortos, ela lentamente se tornava uma pessoa mais e mais depravada.
As tradições dos devoradores de pecados têm suas raízes na Idade Média, e apenas recentemente ela veio a desaparecer quase completamente. Acredita-se que o último devorador de pecados trabalhando na Inglaterra era um homem chamado Richard Munslow, que morreu em 1906. Apesar de a ideia de que a maioria dos devoradores não eram afiliados ou de qualquer forma endossados pela igreja, ele foi enterrado no cemitério da Igreja de Ratlinghope, em Shropshire.
De acordo com registros, pensava-se que ele se tornou um comedor de pecados após a morte de todos os seus três filhos. Também ao contrário da maioria dos devoradores de pecados tradicionais, ele parece ter escapado do estigma associado ao trabalho, agindo como devorador ao lado de seus outros deveres como um fazendeiro.
O túmulo foi recentemente restaurado, com o objetivo de homenagear os devoradores de pecados. [KnowledgeNuts]
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