domingo, 9 de março de 2014

A mãe de todas as guerras

 

A mãe de todas as guerras

A catapulta foi uma das mais revolucionárias armas inventadas pela humanidade. A partir dela, as máquinas - e não o homem - é que decidiam as batalhas

por Fabiano Onça

Em 1304, o rei Eduardo 1º da Inglaterra cercou o castelo de Stirling, na Escócia. Lá resistiam os últimos guerreiros que, anos antes, haviam apoiado a rebelião antiinglesa promovida pelo escocês William Wallace. Sem conseguir demolir as sólidas muralhas, Eduardo 1º apelou. Ergueu um engenho conhecido como trebuchet – uma máquina de atirar pedras, parente gigante da catapulta. Por 10 semanas, um batalhão de 50 operários cortou 20 grandes carvalhos para construir o monstro, ali mesmo, no local do cerco. O colosso intimidou de tal modo os defensores que, antes mesmo de ser concluído, fez com eles tentassem se render. Mas Eduardo queria testar o brinquedão. Com pedras de 150 quilos, o rei inglês devastou as muralhas e tomou o castelo, em um cerco como o do infográfico destas páginas. Só aí aceitou a rendição.

O terror vivido pelos defensores do castelo de Stirling não era algo novo. O sentimento havia sido experimentado há pelo menos 2 400 anos, com a invenção das pioneiras armas de sítio ou de cerco – categoria que tem na catapulta sua representante mais célebre, mas inclui ainda onagros, oxibeles, trebuchets e outras engenhocas construídas de acordo com a criatividade de inúmeros povos da Antiguidade e da Idade Média. No terreno militar, o impacto dessa novidade literalmente não deixou pedra sobre pedra. Até então, os exércitos eram formados apenas pela infantaria (tropas que avançam a pé) e a cavalaria (tropas que avançavam a cavalo e, hoje, em veículos blindados). A partir das catapultas, eles passaram a contar também com uma terceira arma: a artilharia, especializada no lançamento de projéteis a grande distância. Simplesmente não havia mais cidade – não importava o tamanho do muro – que pudesse resistir a um ataque persistente. E, quanto maior, melhor: engenhos gigantescos como os trebuchets da página anterior fizeram com que o pânico tomasse conta dos defensores como nenhuma outra arma. Afinal, tomar uma pedrada enorme ou ser varado por uma superflecha desmoronava qualquer um.

Pai desconhecido

Em termos técnicos, as armas de cerco aproveitavam os princípios de funcionamento de duas armas muito antigas, mas também muito eficientes: o arco e a funda, espécie de corda para atirar pedras. Em diferentes momentos históricos, foi o aprimoramento e a junção das duas invenções que permitiu o surgimento da artilharia. A partir delas dá para estabelecer duas linhas evolutivas para contar essa história (veja detalhes no infográfico abaixo). A primeira, que aconteceu no Ocidente, foi a que originou a catapulta propriamente dita. Com significado em grego indicando algo como "jogar contra", a catapulta foi uma das poucas armas da Antiguidade com local e data de nascimento registrados: a cidade-Estado grega de Siracusa, na ilha da Sicília (atual Itália), por volta de 399 a.C. Mas há um mistério. O artesão que bolou a catapulta permanece desconhecido. Uma das explicações é que, provavelmente, o engenheiro que concebeu a peça era um escravo. E escravos não podiam levar a fama.

O motivo da inovação, como sempre, era a mais pura e simples das necessidades: grana. Alguns anos antes, Dionísio 1º, rei que governava Siracusa, havia negociado muito a contragosto o pagamento de terras e dinheiro para evitar que os inimigos cartagineses invadissem a cidade. Por debaixo dos panos, o tirano resolveu tomar de volta o que julgava ser seu. Para isso, transformou seus domínios em um dos maiores centros de tecnologia militar. Graças ao lucro com o comércio de trigo e azeite, em pouco tempo Dionísio conseguiu arrebanhar os melhores artesãos militares do Mediterrâneo. "O rei circulava diariamente entre os inventores, conversava em tom ameno com eles e recompensava os mais esforçados com presentes e convites para banquetes", relatou o historiador grego Diodorus Siculus, ele próprio um siciliano. Da comilança e dos agradinhos resultaram numerosas máquinas de guerra. A catapulta estava entre elas e fez sua estréia no bem-sucedido cerco à cidade cartaginesa de Motya, que caiu em 398 a.C.

Do sucesso veio a multiplicação do espanto. Em sua obra Moralia, o filósofo grego Plutarco descreve o terror do rei espartano Arquidamos 3º (360 a.C.–338 a.C.) quando viu a catapulta demonstrada pela primeira vez. "Ó, Héracles! A bravura em batalha foi destruída!", teria dito o rei, referindo-se ao fato de que uma arma daquelas poderia acabar com o mais valoroso dos guerreiros, sem que ele tivesse chance de fazer nada. Não era pouca coisa o momento histórico que Arquidamos presenciava: pela primeira vez, o homem podia usar algo que ia muito além da própria força física para guerrear. Quem vencia a guerra, a partir de então, era a máquina, não mais o homem.

Os gregos curtiram a brincadeira. Por volta de 330 a.C., ou seja, apenas 70 anos após a invenção da catapulta, o arsenal de Atenas já incluía uma variedade de requintados modelos impulsionados por sistemas de torção que ampliavam o alcance do projétil. Armas como o oxibele nasceram a partir do mesmo mecanismo. Capitalizado pelos romanos, o surto inventivo grego foi copiado e melhorado. Mudanças nos materiais, no design e no próprio uso tornaram a artilharia mais do que uma arma selvagem. O passo definitivo para transformar o uso das catapultas em uma ciência foi o desenvolvimento da balística – a arte por meio da qual os artilheiros conseguiam, graças a cálculos matemáticos, direcionar com razoável precisão os projéteis que saíam de suas máquinas.

Catapultas e similares continuaram a ser utilizados até o início da Idade Média. Isso até os europeus tomarem contato com a segunda linha evolutiva das armas de cerco, desenvolvida no Oriente, mais precisamente dentro da tradição chinesa. Utilizando o mesmo princípio da alavanca, os chineses, desde 400 a.C. (a mesma época do desenvolvimento da catapulta na Grécia), faziam uso de uma espécie de gangorra gigante com uma funda na ponta para atirar pedras. O invento, chamado de hseun fang ("furacão"), utilizava a força de cerca de 10 homens, que puxavam um dos braços da alavanca com cordas.

Com o tempo, os chineses se ligaram que não era necessário ter pessoas puxando um dos lados da gangorra. Bastava colocar um contrapeso para que o efeito fosse o mesmo. Ao longo dos séculos, o poderoso engenho atravessou a Ásia. No ano de 1169, o estudioso islâmico al-Tarsusi descreveu em um manual militar uma máquina que usava o mecanismo do contrapeso, chamada entre os árabes de manjaniq.

Queridinhos do rei

Na mesma época, o invento, que ficaria conhecido no Ocidente com o nome de trebuchet, foi construído por forças cristãs que combatiam na Palestina durante a 3a Cruzada (1189-1192). O comandante da expedição, o rei inglês Ricardo Coração de Leão, tinha uma adoração especial por dois enormes trebuchets apelidados por ele de Catapulta de Deus e Vizinho Mau, que abriram enormes brechas na fortaleza da cidade de Acre.

A partir das Cruzadas, o trebuchet cresceu e apareceu por toda a Europa, onde participou de alguns dos momentos mais criativos da Idade Média. Utilizando as enormes máquinas de cerco, os atacantes jogavam animais e cadáveres infectados com peste para dentro das muralhas, uma guerra biológica primitiva. Há também relatos de negociadores sendo enviados vivos – via trebuchet – de volta às cidades sitiadas, numa demonstração de que as negociações haviam falhado. O predomínio do engenho só seria ameaçado com a chegada do canhão. O primeiro surgiu em 1325. Por cerca de 100 anos, eles foram secundários em relação ao trebuchet. Não era fácil carregá-los, e seu grau de imprecisão era alto. Conforme a tecnologia foi se aprimorando, a relação se inverteu. "O marco foi o ano de 1449, data de criação de um canhão gigantesco chamado Mons Meg, que enviava uma bola de 150 quilos a 266 metros de distância. A partir de então, o poder de fogo do canhão e do trebuchet se equiparou", afirma o especialista em catapultas Michael Farnworth, autor do ensaio Inventive Steps in Trebuchet Evolution ("Passos Inovadores na Evolução do Trebuchet"). Daquele ponto em diante, a importância do trebuchet foi gradualmente diminuindo. Em 1550, gravuras medievais ainda mostravam o engenho operando ao lado de canhões. O último uso documentado é bem posterior, de 1779, durante uma batalha em Gibraltar. Na ocasião, o Exército inglês aproveitou a trajetória de parábola dos projéteis lançados do trebuchet para atingir alvos inacessíveis aos canhões.

A evolução das armas de fogo aposentou as catapultas. Isso não impediu sua última glória. Durante a 1a Guerra Mundial (1914-1918), em meio à batalha de trincheiras, os homens que arriscavam suas vidas atirando granadas rumo às posições inimigas reinventaram a roda. Utilizando molas e madeira, construíram pequenas catapultas, capazes de lançar as granadas sem que fosse preciso se expor ao fogo inimigo. Uma demonstração de que a simplicidade e eficiência das armas de cerco ainda podiam causar o que sempre causaram: terror nos inimigos.

Munição

O alimento preferido de catapultas e trebuchets eram as pedras. Mas a criatividade medieval incluía animais mortos – o mais aerodinâmico era o porco – e cadáveres putrefatos.

Torre de assalto

Usada desde os romanos, a torre de assalto era um dos meios mais eficazes de tomar as muralhas. Era uma torre móvel, que colava na muralha inimiga e baixava uma porta levadiça para a saída dos atacantes. Era coberta com couro e molhada para evitar o fogo.

Trebuchet

Primo turbinado da catapulta, o trebuchet podia chegar a 16 metros de altura, algo como um prédio de 6 andares. Só o braço da arma tinha 12 metros de extensão.

Contra ataque

Se os invasores bobeassem, os defensores abriam de surpresa as portas do castelo e faziam um contra-ataque para tentar destruir os trebuchets. Ou então saíam à noite, para tentar quebrar o que pudessem.

Proteção

Alvo cobiçado pelos inimigos, um trebuchet exigia vigilância constante. Em defesa aos ataques de cavalaria, era comum os invasores posicionarem troncos afiados, os piques. Uma guarnição ficava perto para evitar sabotagens.

Montagem

Construído em pleno palco de cerco, um trebuchet vinha com grandes toras de madeira desmontadas em carroças. Para colocar a máquina de pé, engenheiros demoravam pelo menos duas semanas.

  ESTICA E EMPURRA

Originadas da funda, estas armas de cerco nasceram na China

FUSTÍBALO (500 a.C.)

Extensão ainda maior do braço humano, utilizando um pau e mantendo uma funda na ponta. Tornou-se uma arma popular no Exército romano.

FUNDA (Paleolítico)

Suspeita-se que esta arma tenha mais de 11 mil anos. O que ela faz é aumentar o tamanho do braço humano, fazendo com que as pedras voem mais longe.

ONAGRO (100 a.C.)

Funciona do mesmo modo que uma catapulta de torção, exceto por um detalhe. Em vez de possuir uma "colher" no final do braço, o onagro tinha uma funda na ponta da arma.

HSEUN FANG (400 a.C.)

Funcionando como uma alavanca, esta arma arremessa pedras por meio de um superbraço de madeira, puxado com cordas por cerca de 10 homens.

TREBUCHET (300 a.C.)

É o sistema de alavanca vitaminado e redesenhado: o ponto de apoio deslocado para a frente do braço aumenta o alcance e o contrapeso evita o uso da força humana.

TOrção (por volta de 400 a.C.)

Usado tanto na China quanto na Europa, o mecanismo de torção multiplica o alcance das armas de cerco. A idéia básica é passar uma corda pelo braço da catapulta (1) e torcê-la (2). Quando o braço é liberado, a corda retorcida o faz mover-se velozmente, lançando a pedra em cima do inimigo (3).

ESTICA E PUXA

Originadas do Arco, estas armas de cerco nasceram na China

ARCO (Paleolítico)

Evidências arqueológicas sugerem que o arco já era utilizado 11 mil anos atrás. A estrutura de madeira é flexionada por uma corda que, ao ser solta, transfere a energia.

GASTRAFETE (400 a.C.)

Usando a barriga como ponto de apoio, o arqueiro fica com as mãos livres para puxar mais a corda, aumentando a tensão do arco e fazendo a flecha ganhar força.

OXIBELE (375 a.C.)

Esta arma lança flechas tamanho-família utilizando uma espécie de roda dentada (igual à dos brinquedos movidos à corda) para puxar o arco.

CATAPULTA DE ARCO (400 a.C.)

O princípio do arco ganhou aqui uma nova utilidade: impulsionar um braço de madeira, uma espécie de colher gigantesca que atirava pedras.

BALISTA (100 a.C.)

Filha do oxibele, a balista romana é ainda maior. Para simular a tensão do arco, os romanos fizeram um sistema de torção duplo, com dois feixes de cordas.

CATAPULTA de TORÇÃO (350 a.C.)

Um sistema de torção move o braço desta catapulta. O braço da arma fica enrolado em um feixe de cordas bem torcidas – e cheias de energia.

                                                     

      

A excomunhão das formigas

 
 


A excomunhão das formigas

  

 

LUIZ ANTONIO SIMAS


Li, em alguns registros da história da província do Maranhão, que, em 1713, os religiosos de um convento em Piedade travaram dura batalha contra centenas de formigas. Os impertinentes insetos himenópteros estavam invadindo a despensa do convento para comer a farinha dos padres.


As safadinhas, pelos relatos dos apavorados religiosos, pertenciam a espécie das iridomyrmex humilis, as famosas formigas-açucareiras, que se caracterizam pelo péssimo hábito de invadir casas em busca de qualquer tipo de alimento. Eram elas, sem dúvidas, que estavam atazanando o juízo dos homens de Deus.

Após infrutíferas tentativas de eliminar os insetos, os padres resolveram processar as formigas no Tribunal da Divina Providência, cuja sede no Maranhão era presidida pelo vigário-geral. As formigas foram julgadas e condenadas severamente. O tribunal estabeleceu que os religiosos deveriam demarcar uma área para que as formigas se locomovessem; se as vilãs da história ultrapassassem o espaço determinado, seriam submetidas ao ritual de excomunhão - a mais vil das condenações.


Os leitores que acham que essa memorável passagem do direito canônico nacional terminou aí, estão enganados. O tribunal determinou que a sentença fosse lida por um padre na boca do formigueiro. Tenho amigos advogados que, certamente, concordarão que o procedimento correto era mesmo o de comunicar a sentença a quem de direito.


Acontece que as formigas, tremendamente subversivas, não respeitaram a decisão das autoridades canônicas; as hereges continuaram invadindo a despensa do convento, sem demonstrar receio algum do risco de excomunhão a que estavam sujeitas.


Diante do comportamento ilegal das formigas, o tribunal determinou a excomunhão de todo o formigueiro do convento. A sentença foi lavrada e o rito de condenação sumariamente executado, com a presença do vigário-geral. As formigas excomungadas, com a pança cheia de farinha, devem estar, até hoje, enchendo a paciência do Coisa Ruim, nas profundas do Reino do Sete Barbas.

                                                

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Obs. (Alzira)

Existem, no arquivo do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, cópias parciais do processo. Dentre elas, não estão a petição inicial e as peças finais. Com efeito, é incerta a data do início do processo, assim como a de sua conclusão. Quanto a isto, é mais certo que tenha ficado inconcluso.

Tanto o padre Bernardes, quanto o jornalista João Francisco Lisboa - e isso consta do arquivo do IHGB, Lata 467, documento 6 - atestam que tais dados permitem supor que a propositura do feito é anterior a 1706, ano em que o referido religioso iniciou a publicação da revista Nova Floresta, em cujo primeiro tomo trata do assunto.

Quem quiser saber mais, acesse: http://www.educadora.elo.com.br/~eulalio/Home_Artigos_Formigas.htm



 

                                                                                            

 

                                                                                                   

 


   

sexta-feira, 7 de março de 2014

Conheça mais sobre Aristóteles

 

Aristóteles

Aristóteles nasceu no ano de 384 e morreu, calcula-se, no dia 7 de março de 322 a.C. Aristóteles foi um filósofo grego nascido em Estagira, um dos maiores pensadores de todos os tempos e considerado o criador do pensamento lógico.

As suas reflexões filosóficas, por um lado originais e por outro reformuladoras da tradição grega, acabaram por configurar um modo de pensar que se estende até hoje. Prestou inigualáveis contribuições para o pensamento humano, destacando-se a ética, política, física, metafísica, lógica, psicologia, poesia, retórica, zoologia, biologia, história natural e outras áreas do conhecimento humano. É considerado por muitos o filósofo que mais influenciou o pensamento ocidental.

Foi discípulo de Platão, outro grande filósofo grego, tendo até superado o Mestre, em várias áreas.

A Vida

Aristóteles nasceu em Estagira, na Calcídica. Apesar de ser na Macedônia, o grego era o idioma falado. Era filho de Nicômaco, amigo e médico pessoal do rei Amintas II, pai de Filipe II da e avô de Alexandre, o Grande. É provável que o interesse de Aristóteles por biologia e fisiologia provenha da atividade médica exercida pelo pai.

Com cerca de 16 ou 17 anos partiu para Atenas, o maior centro intelectual e artístico da Grécia. Como muitos outros jovens do seu tempo, foi para lá prosseguir os estudos. Duas grandes instituições disputavam a preferência dos jovens, sendo estas a escola de Isócrates, que visava preparar o aluno para a vida política, e Platão e a sua Academia, dando preferência à ciência como fundamento da realidade. Aristóteles entrou na Academia de Platão, tendo ficado nela durante 20 anos, até à morte de Platão, no ano de 347 a. C..

Com a morte do mestre e com a escolha do sobrinho de Platão, Espeusipo, para a liderança da Academia, Aristóteles partiu para Assos com alguns ex-alunos. Já em Assos, Aristóteles fundou um pequeno círculo filosófico com a ajuda de Hérmias, tirano local e eventual ouvinte de Platão. Ficou por três anos e casou-se com Pítias, sobrinha de Hérmias. Com o assassinato de Hérmias, Aristóteles partiu para Mitilene, na ilha de Lesbos, onde realizou a maior parte das suas famosas investigações biológicas. No ano de 343 a.C. chamado por Filipe II, tornou-se preceptor de Alexandre, função que exerceu até 336 a.C., quando Alexandre subiu ao trono.

Neste mesmo ano, de volta a Atenas, fundou o Lykeion, origem da palavra Liceu, cujos alunos ficaram conhecidos como peripatéticos, aqueles que passeiam, nome decorrente do hábito de Aristóteles de ensinar ao ar livre, muitas vezes sob as árvores que cercavam o Liceu. Ao contrário da Academia de Platão, o Liceu privilegiava as ciências naturais. Alexandre mesmo enviava ao mestre  exemplares da fauna e flora das regiões conquistadas.

Aristóteles dirigiu a escola até 323 a.C., pouco depois da morte de Alexandre. Os sentimentos anti-macedônios dos atenienses voltaram-se contra ele que, sentindo-se ameaçado, deixou Atenas afirmando não permitir que a cidade cometesse um segundo crime contra a filosofia. Deixou a escola aos cuidados do seu principal discípulo, Teofrasto, e retirou-se para Cálcis, na Eubeia, onde morreu no ano seguinte.

 

 

quinta-feira, 6 de março de 2014

Coisas que você precisa saber sobre Vladimir Putin

 

Coisas que você precisa saber sobre Vladimir Putin

foto

Dureza e desejos de infância

Putin cresceu em um apartamento compartilhado em Leningrado, hoje São Petersburgo, cidade russa devastada pela Segunda Guerra Mundial.

Filho de um ex-combatente da Grande Guerra Patriótica (maneira como os soviéticos chamavam a Segunda Guerra Mundial) e de uma sobrevivente do Cerco a Leningrado (1941-1944), o pequeno Vladimir Putin se divertia com filmes soviéticos de espionagem e já sonhava em trabalhar nos órgãos de defesa nacional.

15 anos de poder
 

Aos 61 anos, Putin está no poder da Rússia desde 1999, quando assumiu interinamente a presidência depois que o presidente Boris Iéltsin renunciou ao cargo inesperadamente.

Ele também foi primeiro-ministro em duas oportunidades (de 1999 a 2000 e de 2008 a 2012) e já foi presidente do país de 2000 a 2008.

O tenente-coronel e o Street Fighter

Como figura pública, Vladimir Putin sempre transmitiu a imagem de um homem aventureiro, viril e engajado em atividades perigosas e incomuns.

Ele é praticante assíduo de artes marciais e visto com frequência praticando atividades ao ar livre, além de fazer propaganda de esportes e de um modo saudável de vida entre os russos.

Nas artes marciais, é o político com melhores resultados. Putin é mestre faixa azul de sambo – arte marcial moderna de "autodefesa sem armas" que é praticada por alguns personagens de jogos Street Fighter –, e também é faixa vermelha e branca no judô.

Putin teve ampla participação no desenvolvimento do esporte russo, tendo colaborado firmemente para fazer da cidade de Sochi a sede dos Jogos Olímpicos de Inverno de 2014.

Na vida militar, Putin já foi agente e chefe dos serviços secretos soviético e russo.

Na KGB, ele esteve por 16 anos. Foi oficial júnior, trabalhou no departamento investigativo, foi major de justiça, chefe do departamento de fronteiras e chegou a ser tenente-coronel

Apesar de ter levado progresso econômico ao país, seus governos sempre foram marcados por profundas e questionáveis reformas, diversas tensões com os Estados Unidos e a Europa Ocidental, até assassinatos não esclarecidos de alguns de seus opositores políticos.

Em 2011, quando anunciou que concorreria ao terceiro mandato no ano seguinte, uma onda de protestos se instaurou nas principais cidades do país. Mesmo assim, Putin foi reeleito e fica no governo até 2018.

 Dinheiro não traz felicidade... no casamento

Putin casou-se em 1985 com Ludmila Putina, ex-colega de universidade.

Durante o casamento, houve rumores de que ele estaria envolvido com uma espiã alemã. Teria inclusive deixado para trás uma criança dela.

Isso teria abalado a união entre Putin e Ludmila. Durante anos, os dois não eram mais vistos juntos. Em junho de 2013, anunciaram o divórcio ao vivo pela televisão russa.

A pensão para Ludmila não deve ser problema para Putin. Ele sempre foi muito rico, com diversas contas bancárias, imóveis, automóveis luxuosos e ações.

Estima-se que sua fortuna esteja na casa dos US$ 40 bilhões, o que faria de Putin uma das pessoas mais ricas da Europa.

Ele teria construído, por meio de ligações e negócios corruptos, uma mansão de US$ 1 bilhão no Mar Negro.

Em 2012, declarou uma renda de 'somente' R$ 230.000, levando líderes oposicionistas a questionarem algumas de suas posses, como 11 relógios de luxo com valor estimado em US$ 700 mil.

Sem meias palavras: os 'putinismos'

Durante aparições públicas, entrevistas coletivas anuais ou em reuniões casuais, Putin produziu várias gafes e bordões, que ficaram conhecidos como 'putinismos'. Confira alguns:

"No mínimo, um chefe de Estado deveria ter cérebro"
(Resposta de Putin a Hilarry Clinton, quando ela o acusou de não ter alma por ter sido um oficial da KGB)

"Arrebentar na latrina"
(Quando prometeu acabar com os terroristas e disse o que faria com eles)

"As orelhas de um asno morto"
(Isso é o que Putin daria para a Letônia caso o país continuasse reivindicando o distrito de Pytalovski, que faz fronteira com a Rússia)

FONTE: TERRA          

quarta-feira, 5 de março de 2014

História do carnaval no mundo

 
 
 
 

História do carnaval no mundo

Segundo o diretor cultural da LIESA – Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro -, pesquisador do Carnaval e autor do livro "Carnaval – Seis Milênios de História" -, a dificuldade no estudo da história desse evento se encontra na falta de material e documentos sobre o assunto. Em meio a muitas explicações encontradas na mídia sobre a origem do carnaval, a de que ele teria surgido com a criação dos cultos agrários pelos povos primitivos é confirmada por Araújo no primeiro capítulo desse seu livro. A oficialização das festas dedicadas a Dionísio, de 605 a 527 a. C., teriam completado o processo.

As festas de culto ao deus Dionísio - também conhecido como Baco, em Roma – que aconteciam há mais de três mil anos na Grécia eram celebrações profanas, que se estendiam por três dias. Durante esse período os pagãos dançavam, cantavam e faziam orgias, numa espécie de "vale-tudo". 

 

Baco, por Caravaggio

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A base dessas festas era a inversão, que se dava através de uma teatralização coletiva. O processo era ajudado pela pintura que mulheres e homens faziam em suas faces e pelas roupas que usavam, que os descaracterizavam de seus papéis comuns na sociedade e os faziam assumir outros, ainda que metaforicamente. Dessa forma, homens pobres podiam se tornar reis por alguns dias e mulheres posavam de damas, por exemplo. Também de forma metafórica, os foliões falavam dos governantes e para eles, como se estivessem fazendo um "acerto de contas". E para tudo isso aproveitavam-se do anonimato, já que estavam com aparências diferentes em função das fantasias.

Quando as homenagens a Dionísio – o deus brincalhão, do deboche e da irreverência - começaram a acontecer, as cortes, os sacerdotes e os ricos não gostaram nada, entre outras razões porque eram o principal motivo das sátiras dos pagãos. No entanto, assumindo a máxima "se não pode vencê-los, junte-se a eles", acabaram se rendendo também aos festejos após uma tentativa frustrada de reprimi-los. No século VI a.C., Pisístrato, o tirano de Atenas, passou também a homenagear Dionísio e ainda construiu um templo na Acrópole, o teatro Dionísio, que abrigaria concursos de peças cômicas ou dramáticas.

Até hoje, percebe-se essa idéia de inversão, trazida ao mundo pelas festas profanas direcionadas a Dionísio, em alguns locais onde o carnaval é uma manifestação de forte impacto. O de Veneza, por exemplo, é exuberante e conhecido no mundo pela navegação de gôndolas iluminadas pelos canais da cidade e a concentração, na Praça de São Marcos, de personagens típicos, como arlequins, polichinelos e outros da Comédia d'ell arte. Historicamente, conta com máscaras muito criativas e bem elaboradas, também famosas internacionalmente. As máscaras, apesar de remeterem ao disfarce que garantia o anonimato para se divertir na Grécia e em Roma, surgiram bem antes das homenagens a Dionísio: na pré-história mesmo já eram utilizadas.

Além da Itália, outros países europeus têm carnavais tradicionais também, especialmente aqueles em que há predominância católica. Na Alemanha - onde a festa se chama "Karneval" ou, mais ao sul, "Fasching" e vai de 11 de novembro à quarta-feira de Cinzas - existe a mesma noção de válvula de escape tão característica do Carnaval. A animação é grande principalmente no Mainz, em Düsseldorf, Bonn e em Colônia, às margens do Reno. O carnaval de Nice, na França, é bem conhecido, pela monumental parada de carros alegóricos a as gigantescas figuras que são movimentadas.

Nos Estados Unidos, Nova Orleans se destaca pelo Mardi Grass, que significa terça-feira gorda e teve origem em 1857. Durante o período, dezenas de agremiações desfilam pelas ruas da cidade, as pessoas saem de casa fantasiadas e os bares ficam abertos 24 horas por dia. Em meio a uma mistura de estilos musicais, essencialmente de origem negra, as bandas de jazz sobressaem.

No Japão também há carnaval, mas numa época diferente: em agosto do ano passado, em Tóquio, meio milhão de pessoas se aglomeraram para ver as 25 escolas de samba locais, na 26a. edição do Asakusa Samba Carnival. Um detalhe curioso: a escola vencedora utilizou fantasias confeccionadas aqui no Brasil, que chegaram na véspera do desfile, para vestir e enfeitar seus 80 membros da bateria e 150 dançarinos.